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Bush diz que Congresso deve se unir para aprovar reforma migratória.
Imigrantes aguardam anciosos possibilidade de regularização nos EUA


O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu hoje que os legisladores cheguem a um acordo sobre a questão migratória, que definiu como um "desafio crítico" para o país.
"Nosso atual sistema migratório precisa de uma reforma", disse Bush, em seu discurso semanal, acrescentando que é necessário "um sistema que satisfaça as necessidades legítimas da economia, trate as pessoas com dignidade e ajude os recém-chegados em sua adaptação ao país".
O presidente afirmou que é necessário fazer frente a todos os problemas de forma unificada, ou, caso contrário, "nenhum deles será resolvido".
Calcula-se que existam em torno de 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, e os diferentes partidos políticos não entram em acordo sobre o que fazer com eles.
Bush quer estabelecer um programa de trabalho temporário para alguns deles, assim como criar uma via que permita que muitos dos que atualmente residem ilegalmente no país consigam a cidadania.
O presidente dos Estados Unidos qualificou como "irreal" a proposta de alguns dos setores mais radicais, de deportar em massa os que não estão legalizados.
A reforma migratória foi, por um período, parte central da agenda doméstica de Bush, mas a oposição de muitos conservadores, que vêem os imigrantes ilegais como uma ameaça para os trabalhadores americanos, impediu que o projeto fosse adiante.
O Senado aprovou, em maio de 2006, uma proposta que ofereceria para os imigrantes ilegais uma via para obter a cidadania, mas o projeto foi barrado na Câmara de Representantes, que deu prioridade às medidas para reforçar a segurança fronteiriça.
Bush voltou a dar um novo impulso ao tema com a declaração de hoje. A reforma migratória centrará também o discurso da cerimônia de graduação na Universidade Miami-Dade, no estado da Flórida.
O líder americano pediu aos recém graduados que solicitem a seus representantes em Washington que avancem na reforma migratória.
"Os senhores vêem a cada dia os valores que o trabalho duro, a família e a fé que os imigrantes trazem com eles", declarou Bush.
Ele acrescentou que a experiência dos estudantes da Miami-Dade, onde mais da metade dos matriculados foram criados falando outra língua sem ser o inglês, faz com que tenham "uma responsabilidade especial".
Bush disse diante de um auditório de cerca de cinco mil pessoas, entre elas 1.500 recém graduados, muitos deles filhos de imigrantes, que o sistema migratório está profundamente danificado e que é necessário enfrentar o problema dos 12 milhões de imigrantes ilegais "sem anistia e sem animosidade".
"Para manter a promessa dos EUA requer que continuemos sendo uma sociedade aberta e acolhedora", afirmou durante sua passagem por Miami.
O presidente americano disse estar convencido de que ambos os partidos políticos podem manter um debate "sério, educado e conclusivo" sobre a reforma migratória, além de afirmar que os Estados Unidos merecem um sistema migratório que assegure as fronteiras e renda, ao mesmo tempo, "honras a uma nação de imigrantes".
"Existe o desejo, tanto por parte dos republicanos como dos democratas, de solucionar o problema", disse Bush, ressaltando que "trabalhar juntos nos permitirá obter uma reforma migratória integral ainda este ano".
A idéia de estabelecer um mecanismo para que os ilegais consigam a cidadania ainda está sobre a mesa, embora a proposta discutida possa dificultar o objetivo ao estabelecer multas, viagens aos países de origem e longas esperas.
A maioria das pesquisas mostra que os americanos são favoráveis a uma reforma migratória que permita aos imigrantes ilegais trabalhar nos Estados Unidos e adquirir status legal.