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| Direto do BC: ‘O problema do Brasil está no setor público’ | Diretor do Banco Central
dá mensagem otimista na Harvard
Em palestra na Harvard, o diretor de assuntos internacionais do Banco Central do Brasil, Paulo Vieira da Cunha, fala sobre o peso tributário na classe média e revela o que está bloqueando a economia brasileira.
Eduardo A. de Oliveira
As tecnicalidades podem até ter ofuscado o resultado prático, mas o diretor de assuntos internacionais do Banco Central do Brasil vê boas perspectivas para o futuro econômico do país. Pressionado pelos alunos da Harvard Business School (HBS) sobre quando o povo sentirá os benefícios do tão falado crescimento econômico, Paulo Vieira da Cunha respondeu com otimismo nesta quinta-feira, 15, no auditório do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-americanos (DRCLAS).
“O problema do Brasil é mais político do que econômico. Hoje não temos mas a ameaça de inflação e o risco Brasil reduziu. Por isso, a expectativa de desenvolvimento é alta”, disse Vieira da Cunha, doutor em Economia/Planejamento Regional pela University of Califórnia – Berkeley.
Mas ele concordou que a carga tributária é um fardo que dificulta o crescimento econômico do pequeno empresário. “Imposto no Brasil é tão alto que se você abre um negócio hoje, você vai ser taxado antes de lucrar”, disse acrescentando que “por isso, 50% da mão de obra do país cai na informalidade”.
A editora-chefe da Revista do DRCLAS, June Carolyn Erlick, quis saber se o Banco Central planeja controlar o envio de remessas em dinheiro para o Brasil. Vieira da Cunha disse que comparado a outros países da América Latina, o envio de divisas para o Brasil –em torno de 5 bilhões ao ano – ainda não preocupa. “Nós, do Banco Central, pensamos em tornar essas transações ainda mais simples.”
Quando os estudantes mostraram impaciência sobre o futuro da classe média – que hoje consume menos do que há 20 anos– Viera da Cunha admitiu que a classe média é a maior vítima.
“As pessoas estão pagando impostos sem receber nenhum serviço. E como a classe baixa não se beneficia dos produtos importados mais baratos, a classe média paga o preço mais caro”, disse ele. “Hoje, viajar para Orlando sai mais barato do que ir para um resort na Bahia”, completou.
E o professor assistente de Business Administration, Aldo Musacchio, mostrou um estudo sobre as economias mais promissoras das próximas décadas – o grupo chamado BRIC, que engloba Brasil, Russia, Índia e China. Dos 141 chefes de estado que responderam ao quesito “Dificuldade de negociar”, 67 apontaram o Brasil como o mais intransigente. Apenas 33 votaram na Rússia e na Índia, e somente 11, na China. “Isso porque (no Brasil) a papelada demora 102 dias para ficar pronta”, explicou Musacchio.
Quando o estudante carioca Pedro Quintela foi enfático – “Não vejo esforço para mudar esta situação –, Vieira da Cunha respondeu: “A questão é a qualidade desses esforços.” E acrescentou: “A forma que o presidente (Lula) está trabalhando é a forma que o sistema político permite. Num país que tem ¼ da população idosa da Bélgica e paga mais do seu PIB (50%) que os belgas, o problema está no setor público.”
Mas para Quintela, “o (presidente) Lula deu sorte de ‘pegar’ o país num momento econômico estável”.
“Se o preço das commodities (produtos de grande aceitação no mundo, como algodão e café) no mundo inteiro não tivesse subido, veríamos o Brasil numa situação muito pior. Aí, quando a gente coloca a pressão, todo mundo se esquiva”, disse ele que cursa o primeiro ano da HBS.
Já o estudante paulista Tomaz Moura acha que os brasileiros confundem o papel do Banco Central. “É um papel muito mais técnico que político.” E Raphael Filizola concorda: “É preciso entender o lado técnico para compreender os resultados que isso vai ter na população em geral. Ele não vai solucionar todos os problemas do Brasil”, disse.
Dentre as tecnicalidades apresentadas pelo diretor do Banco Central , foi possível compreender que o Brasil é um jogador ativo no futuro globalizado das economias em desenvolvimento. “A situação não está ruim. O nosso mercado privado é tão dinâmico que hoje os nossos empresários investem mais fora que dentro do Brasil”, disse Vieira da Cunha.
“Todas as maiores empresas competitivas do mundo estão no Brasil. Não é porque você não está no spotlight que você não tem interesse no que está acontecendo lá fora.”
Próximo evento do DRCLAS
23 de fevereiro: Bate-Papo – mesa-redonda, em português, traz a chance de as comunidades brasileira e acadêmica debaterem assuntos mais importantes para os membros da cultura luso-brasileira.
Aberto ao público: das 16h às 17:30, nas sala 216 prédio CGIS (1730 Cambridge St.).
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