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Skunk perde programa de TV
Resposta dos brasileiros: prefeita de Marlboro se desculpa no Fantástico

Eduardo A. de Oliveira*

Na última semana, a comunidade brasileira de Marlboro viveu uma montanha-russa de emoções. Imigrantes experimentaram sentimentos opostos: de discriminados a aliviados com o desfecho.
Após a intervenção da prefeita da cidade, Nancy Stevens, o apresentador do canal independente m8, Christopher ‘The Skunk’ Antal, pediu desculpas por ter chamado os brasileiros de preguiçosos e ter desrespeitado a bandeira brasileira durante o programa Pro Wrestling Monthly. Mas, foi o cancelamento do programa que surpreendeu os 20 brasileiros que se reuniram na sexta-feira, 2, na casa de Enilton Lisboa.
Skunk começou desafiador o seu último show, após sete anos no ar. “Não conseguiram se livrar de mim.” Várias vezes o som foi cortado quando Skunk xingava os veículos que o criticaram. Uma legenda tomou toda a tela: “Galen Moore is brain dead” (algo como, Galen Moore é retardado), em referência ao repórter que críticou a intolerância de Skunk nas páginas do jornal MetroWest Daily News.
Apesar do humor pastelão que todo programa de luta-livre tem, o Pro Wrestling Monthly não agradou a garotada que assistia. O clima entre as famílias brasileiras era o de ‘acerto de contas’. O repórter Rodrigo Alvarez e o cinegrafista Orlando, do Fantástico, acompanham cada expressão dos brasileiros.
Na tela, a produção do programa é grosseira, o som vaza e as imagens são amadoras. No fim de 30 minutos de show, o momento mais esperado pelos brasileiros: “quem está falando é Christopher e não o Skunk”, diz o ex-apresentador cabisbaixo e com voz séria.
“É difícil parar após sete anos no ar. Eu cometi erros e fiz muitos inimigos. Mas eu também sou um ser humano, também tenho família”, disse. “Àqueles que me odeiam pelo que falei, eu sinceramente peço desculpas. Sei que nunca vou ser capaz de reconquistar o seu respeito.”
Mas os aplausos dos brasileiros só vieram quando Christopher anunciou: “Após sete anos, tenho que pedir desculpas a muita gente, principalmente à comunidade brasileira.” Neste momento não foi possível ouvir mais nada, todos celebravam a vitória.
E ao rasgar a sua licença de atleta da luta-livre, Skunk concluiu: “Considerem-me aposentado.”
Para o industriário Ilton Lisboa, maior articulador da reação brasileira, os jovens brasileiros devem tirar uma lição. “A bandeira de todos os países merece respeito. Porque a nossa cidadania é a coisa mais importante que temos”, disse Lisboa.
Já a a empresária Vera Dias pediu aos brasileiros que moram no Brasil que não se sintam mal pelos imigrantes nos Estados Unidos. “Nós, que moramos aqui, nos sentimos um pouco americanos e estamos satisfeitos por morar neste país”, disse ela para as lentes do Fantástico.
“Acho que ele (Skunk) não sabia onde estava se metendo. Pisou num formigueiro e achou que ia matar apenas uma formiga, mas um milhão delas reagiu”, disse o empresário Marcelo Melo, que morou durante 13 anos em Marlboro e hoje tem negócios na Flórida e em Massachusetts.
“Os americanos têm um lado bom. Depois que cometem um erro, pedem desculpa e não guardam rancor. Acho que a comunidade deve considerar este caso encerrado”, disse a corretora goiana Lilian Régia Davis, moradora de Marlboro há 17 anos.
O policial americano Tony Evangelous também sabe reconhecer as qualidades dos brasileiros. “Ele (Skunk) não deveria ter falado aquilo. Os brasileiros são trabalhadores, voltados à família e religiosos.”
Quando perguntado se a agressão de Skunk era digna de prisão, Evangelous disse: “Não, ele tem o direito à liberdade de expressão.” Em 21 anos de serviço à polícia de Marlboro, ele nunca viu demonstração de intolerância como a de Skunk.
A prefeita Nancy Stevens disse ao Fantástico que o que Skunk falou não representa a cidade de Marlboro.
Já o presidente dos amigos do PT nos EUA resumiu o pensamento de milhares de imigrantes brasileiros. “O que aconteceu hoje demonstra que, quando nos unimos, a nossa voz tem valor.”

Bastidores da reação brasileira

Ele foi o porta-voz da comunidade na prefeitura de Marlboro. Enquanto muitos imigrantes se resumiram a reclamar de Skunk, Ilton Lisboa organizou uma resposta baseada na lei. Ele ligou para a cônsul do Brasil em Boston, Mário H. Saad, e insistiu que tivesse uma audiência com a prefeita Nancy Stevens.
E quando a reação esbarrou no direito de expressão, Lisboa buscou a ajuda da Anti-Defamation League. O órgão anti-discriminação enviou uma carta ao m8, pedindo ao canal que repudiasse a agressão do seu apresentador.
“Eu sempre acreditei que a comunidade tem o respeito das autoridades e procurei debater o nosso caso no melhor estilo da democracia americana”, disse Lisboa.