Eduardo Zobaran
O câncer é uma preocupação para qualquer homens e mulheres em todo o Brasil. Nos Estados Unidos, o estresse físico e emocional do trabalhador brasileiro, uma conseqüência das condições de trabalho do grande número de horas de trabalho semanais e a distância da família e do país, são fatores que favorecem o aparecimento da doença. Pensando nisso, a Brazilian American Association (Bramas), organização situada em Framingham, Massachusetts, buscou verbas junto a órgãos de apoio a prevenção e combate ao câncer para informar à comunidade brasileira como se prevenir dos riscos da doença.
A partir de uma pesquisa da Harvard Medical School dentro da comunidade brasileria em Framingham, Ilma Paixão, presidente da Bramas, iniciou, com a contribuição de um grupo de voluntários, a estruturar um trabalho tendo como meta viabilizar financiamentos para programas voltados para os brasileiros da região. Hoje, a Bramas já conta com o suporte de duas verbas para programas distintos, porém complementares, ambos na área de saúde.
Verbas
O primeiro recurso, de oito mil dólares, foi liberado no início de maio. Com esse dinheiro, a Bramas dá suporte a mulheres no apoio a prevenção e tratamento do câncer. Estão aptas a participar do projeto, mulheres entre 40 e 64 anos, com planos de saúde com cobertura incompleto ou sem plano de saúde e com renda baixa. Com a verba, a associação consegue atender até 110 mulheres.
“Essa verba inicial vai garantir que o trabalho seja feitoa até julho. Gradualmente nós estamos atingindo a comunidade e ampliando o número de pessoas e, por enquanto, nossa reuniões recebem em média 30 mulheres”, afirma.
Reuniões
As reuniões são semanais e contam com a participação de profissionais que discorrem sobre assuntos relacionados à saúde. Todas as informações são passadas em português. São tiradas dúvidas sobre como fazer auto-exame e onde proucurar ajuda médica, já que o Bramas não oferece o tratamento, mas trabalha em parceria com clíncas e hospitais que o fazem.
“Apesar de trabalharmos com a prevenção do câncer, essas pessoas recebem orientações sobre todo o tipo de problemas de saúde. As mulheres muitas vezes não cuidam da própria saúde, mas todos sabem que elas são as primeiras a se preocuparem com a saúde de seus familiares”, explica Ilma.
A segunda verba recebida, de quarenta mil dólares, vai aumentar o número de pessoas atendidas para 330 mulheres e tem previsão de início para julho.O próximo objetivo é atender homens, um grupo que segundo Ilma Paixão, sofre com abandono e depressão. Outro tema que deve ser trabalhado é a violência doméstica.
“Quinhentos dólares desses 40 mil dólares serviriam para me pagar, mas eu vou deslocar esse dinheiro para o início em agosto de um série de ‘workshops’ com ajuda terapêutica aos homens. Jà existem pessoas interessadas e nós pretendemos confirmar a necessecidade de criar um projeto maior com a comunidade masculina e conseguir verbas para projeto também com os homens”, anuncia.
Outros projetos
Além de saúde, a Bramas possui comissões na área de educação, cidadania, negócios e cultura. Ilma Paixão garante que a associação vai buscar desenvolver o máximo número de projetos para auxiliar a comunidade brasileira em um região onde a discriminação com os imigrantes é, certamente, uma das mais fortes do país. Para isso, ela conta com apoio de universidades como Harvard, MIT e Umass, além de cerca de 500 membros. Este número, no entanto, não representa o total de pessoas que participam ativamente da Bramas. Ilma convoca todos a participarem, pois só assim a comunidade se mostrará ativa diante dos adversários que, segundo ela, desejam ver os brasileiros divididos.
“Nós temos entre mil e quinhentos e dois mil brasileiros com ‘green card’ ou cidadania americana. Este número é muito representativo em uma cidade como Framingham e se nos unissemos, certamente, não teríamos nenhum de nossos pedidos negados. O brasileiro tem que exercitar o direito cívico de votar e também de se manifestar. Essas pessoas têm de se unir para pedir em prol daqueles que ainda não alcançaram a legalidade”, diz.
Após um ano e meio de aparente inatividade, o Bramas começa a desenvolver seus projetos junto a comunidade. Segundo Ilma, foi preciso primeiro estruturar a organização para se adequar às concorrências de verbas. Hoje, ela diz que os resultados estão aparecendo.
União
“Foram necessárias pesquisas, contatos e uma série de outros trabalhos que muitas vezes não apresentam resultados imediatos. Muitas pessoas acabam se decepcionando por isso e abandonaram a causa, mas espero que elas retornem agora que os projetos estão começando a sair do papel”, conta.
Segundo Ilma, foi importante fazer um planejamento de longo prazo. A comunidade, ainda segundo ela, não precisa apenas de um sorriso no rosto, ou seja, medidas paleativas. Com as verbas que começam a chegar, no entanto, ela acreditam que soluções efetivas sejam oferecidas.
“Se a comunidade se unir, nós temos muita força. Acho que faltava um grupo de trabalho que estivesse unido. Nós temos que ser muito audaciosos, e eu sou. Há dois anos que eu disse para mim mesm que trabalharia a partir de então só com a comunidade brasileira e é isso que estou fazendo. Existem mais pessoas como eu. Muitas mães, com mais de quarenta anos e que hoje trabalham para ver seus filhos na universidade. Pessoas que já deixaram de ser a prioridade nas próprias vidas e usam toda a energia para lutar pelos outros”, acrescenta ela, que vive há vinte anos no Estados Unidos.
Bramas – Brazilian American Association
129 Concord Street, suite 9
Framnigham, MA 01702
(508) 820-9400 |