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Dia Internacional da mulher
Dia Internacional da mulher
Brasileiras contam sofrimento, alegrias e solidão

Luciano Sodré
O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher.
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.
Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".
O BT entrevistou algumas das brasileiras que mostram que a garra e a força de vencer é o caminho para qualquer sucesso. Mas todas ressaltaram os sofrimentos que vivenciaram e a solidão que foram obrigadas a enfrentar para conseguir seus objetivos.
Analice Furtado, 26 anos, é uma destas brasileiras que está galgando em busca de seus ideiais. Ela conta que está nos Estados Unidos há mais de dois anos e que sua maior dificuldade tem sido a saudade da família. “Meus pais me fazem muita falta e às vezes penso em deixar meus sonhos de lado e voltar ao lado deles”, fala.
A brasileira, natural do estado de Santa Catarina, se emociona ao lembrar tudo que já viveu neste país e das lágrimas que derramou junto com sua mãe ao telefone. “Eu faço questão de ligar pra ela todos os dias e aos domingos nos falamos mais de cinco horas”, acrescenta.
Trabalhando durante o dia em uma companhia de limpeza e à noite em um restaurante, ela ganha média de US$850 dólares por semana. Mesmo assim seus planos ainda podem demorar mais dois anos para se concretizar. “Levei cinco meses, depois que cheguei nos Estados Unidos, para pagar a pessoa que me trouxe aqui. Agora estou construindo uma casa para meus pais e pagando o consórcio de um carro”, comenta ela.
Em todos os segmentos podem-se se encontrar brasileiras trabalhando e contribuindo para o desenvolvimento deste país. Algumas atuam em serviços marginalizados pela sociedade e acabam sofrendo ainda mais, pois além da saudade da família, sofrem desprezo por parte de alguns mais conservadores.
É o caso de Carol – nome que ela utiliza em seu trabalho – que trabalha em uma casa de “stripper na região de Newark-NJ. A mineira conta que chega a faturar mais ou menos dois mil dólares semanais, “mas isso é nada diante do abandono e carência de amigos”.
Ela salienta que estará indo embora daqui a um ano e que não veio para este país em busca de fazer nome e tampocou se tornar conhecida da sociedade “hipócrita”. Para Carol o que mais importa é presentear sua mãe com uma casa e poder oferecer uma vida mais digna aos seus parentes. “Isso eu estou conseguindo e ano que vem estarei ao lado deles, deixando para trás todo este sofrimento”, concluí.
Desde a criação da data até os dias atuais uma coisa todas tem em comum - a cada dia o sexo “frágil” está se tornandfo mais forte.